Clássicos da Aviação: Aerospatiale-BAC Concorde

O Concorde foi um dos dois aviões supersônicos de passageiros que operaram na história da aviação comercial, sendo o outro o soviético Tupolev Tu-144. Possuía uma velocidade de cruzeiro de Mach 2.04 (algo entre 2.346 km/h e 2.652 km/h), e um teto operacional de 17.700 metros de altura (aproximadamente 58.070 pés). Voos comerciais começaram em 21 de janeiro de 1976 e terminaram em 24 de outubro de 2003. Foi operado apenas pela Air France e British Airways.
Histórico
No final da década de 1950 era de interesse das agências americana, francesa, inglesa e soviética a criação de uma aeronave supersônica de transporte de passageiros. Cada um dos países possuía seu próprio projeto.
Porém, no começo da década de 1960, devido aos enormes custos deste tipo de projeto os governos de Inglaterra e França decidiram juntar forças. E em 28 de novembro de 1962 foi assinado um tratado entre a companhia britânica British Aircraft Corporation (BAC) e a companhia francesa Aérospatiale, que juntas tornariam realidade o projeto da aeronave supersônica para passageiros.
No início do projeto, o Concorde tinha cerca de 100 pedidos das companhias mais importantes do mundo: além da Air France, Pan Am e BOAC (que futuramente se tornou a British Airways), que eram as companhias lançadoras do projeto do Concorde, faziam parte desta lista companhias como a Japan Airlines, Lufthansa, American Airlines, Qantas, TWA, etc.
A construção das duas primeiras aeronaves protótipo começou em fevereiro de 1965. O Concorde 001 foi construído pela Aerosptiale em Toulouse enquanto que o Concorde 002 foi construído pela BAC em Filton. O Concorde 001 descolou para seu primeiro voo de teste em 2 de março de 1969, sendo que o primeiro voo supersônico foi realizado no dia 1º de outubro do mesmo ano. Em 1970 durante um teste de voo do Concorde um UFO foi gravado por cameras de vídeo de outro avião. O interessante que o UFO girou ao redor do Concorde por alguns minutos.
Em 4 de setembro de 1971 o Concorde começou a sua série de voos de demonstração em sua turnê pelo mundo afora, inclusive inaugurando o Aeroporto Internacional de Dallas-Fort Worth em 1973 quando a aeronave visitou os Estados Unidos. Estes voos de demonstração fizeram com que o Concorde acumulasse um número de pedidos de mais de 60 aeronaves.
Layout do Cockpit do Concorde
Entretanto, uma avalanche de cancelamentos nos pedidos se iniciou devido a uma conjunção de vários fatores, como: a crise do petróleo dos anos 1970, dificuldades financeiras por parte dos parceiros das companhias aéreas, a queda do concorrente russo do Concorde, o Tupolev Tu-144, e alegados problemas ambientais como ruído (sonic boom) e poluição. No final, apenas Air France e British Airways sobreviveram como únicas compradoras do Concorde.
 
Ambas as companhias europeias realizaram uma série de voos testes e voos de demonstração ao redor do globo com o Concorde a partir do ano de 1974. Nestes voos foram estabelecidos alguns recordes aeronáuticos que ainda hoje não foram superados.
No total, foram realizadas 5.335 horas de voo com os três modelos do Concorde, o protótipo, o modelo de pré-produção e o modelo final de produção. No total, foram realizadas cerca de 2000 horas de testes em voo supersônico. Estes números são quatro vezes maiores do que qualquer outra aeronave subsônica de tamanho semelhante.
Cabine de Passageiros de um dos Concordes da British Airways
Em 21 de janeiro de 1976 o Concorde começou seus voos comerciais, com um voo ligando Paris ao Rio de Janeiro (fazendo uma escala em Dakar). Voar no Concorde era uma experiência única. Tendo uma velocidade de cruzeiro em torno de 2,5 vezes a de qualquer aeronave de passageiros (1.150 nós contra 450 nós, sendo 1.292 nós o recorde em 19 de Dezembro de 1985.
O avião foi capaz de um feito memorável: um Concorde e um Boeing 747 da Air France decolaram ao mesmo tempo, o Concorde de Boston e o Boeing 747 de Paris. O Concorde chegou em Paris, ficou uma hora no solo e retornou a Boston, pousando 11 minutos antes do Boeing 747.
Galley do Concorde
Turbulência era uma coisa que raramente o Concorde enfrentava, devido à grande altitude em que ele voava. Olhando pela janela podia-se ver claramente a curvatura da Terra, e a aeronave era mais rápida que a velocidade de rotação da Terra e isso se fazia notar quando ela decolava após o pôr do sol de Londres e chegava a Nova Iorque ainda de dia. Porém, por se tratar de um avião supersônico, o Concorde emitia muito ruído e poluição e assim por muito tempo ele não pôde pousar nos EUA por causa de leis ambientais.
O serviço de passageiros no Concorde permaneceu sem acidentes por cerca de 24 anos, atendendo regularmente, além de Nova Iorque e Washington, as cidades de Miami, Bridgetown (Barbados), Caracas, Ilha de Santa Maria, Dakar, Bahrain, Singapura, Cidade do México e Rio de Janeiro.
Toilet de um Concorde da Air France
Ao longo destes anos, o avião rodou o mundo nas duas direções, visitando todos continentes, exceto a Antártica. Porém, em 25 de julho de 2000, um Concorde da Air France (Voo Air France 4590) acidentou-se (com perda total) por causa de uma peça de um DC-10 da Continental Airlines que estava no meio da pista e havia decolado 5 minutos antes do Concorde, causando a paralisação de toda a frota francesa e britânica. Este acidente foi o começo do fim para o Concorde.
Após o acidente, o Concorde sofreu algumas modificações e 15 meses depois do acidente ele voltou ao serviço de passageiros. Porém, em 10 de abril de 2003, Air France e British Airways decidiram juntas encerrar os voos comerciais do Concorde. A Air France encerrou os voos do Concorde em 31 de maio de 2003 enquanto que a British Airways encerrou os voos em 24 de outubro do mesmo ano.
O último voo oficial do Concorde foi dado a cabo por um British Airways Concorde, em 26 de novembro de 2003 para a sua casa natal (Filton/Inglaterra), em que foram realizadas homenagens ao Concorde, como o movimento do “Bico” (levantamento e abaixamento), logo depois seus motores foram desligados fechando um dos mais gloriosos capítulos da aviação. 
Curiosidades
  • Apenas 20 Concordes foram produzidos e todos voaram com o nome da British Airways e da Air France. Outras empresas fizeram pedidos mas esses foram cancelados após o fim das operações por parte da British Airways e da Air France. Hoje 18 das 20 aeronaves produzidas estão em museus.
  • O Concorde gasta uma tonelada de combustível por passageiro para atravessar o Oceano Atlântico tornando o seu custo operacional altíssimo, mesmo para os padrões da época em que foi produzido.
  • Apesar de consumir tanto combustível, o Concorde consumia menos que um Boeing 747. Nele voavam pessoas das classes mais ricas, principalmente empresários que faziam voos regulares.
  • Até ao ano 2000 o Concorde dava lucro às empresas operadoras, mas devido aos ataques de 11 de setembro de 2001 a demanda pelos voos intercontinentais diminuiu e os voos do concorde tornaram-se economicamente inviáveis.
  • O Concorde é considerado um símbolo da aviação comercial, um mito que perdurou por mais de 30 anos.
  • Existe uma nova tese sobre o acidente do Concorde, feita por ex-pilotos que apontam um conjunto de falhas no acidente:
  1. O avião estava com 1,2 Tonelada de combustível a mais que o necessário.
  2. Estava com excesso de bagagem de aproximadamente 600 kg.
  3.  O vento estava a favor do lado que a aeronave iria decolar e isso aumenta o arrasto no avião.
  4. O piloto pediu a maior pista para decolagem pelos motivos acima e esta pista estava em piores condições de conservação.
  5. O trem de pouso da esquerda não tinha uma peça chamada de “espaçador” que é responsável por evitar que os pneus da aeronave não percam a direção e como foi visto o avião mudou o curso indo para esquerda.
  6. Devido as más condições da pista os pneus teriam explodido antes de atingir a peça que caiu do DC-10, conforme relatos de bombeiros que viram o Concorde pegando fogo antes do ponto que teve o choque com peça do DC-10.
  7. O Concorde estava em V1, ou seja, muito rápido para poder parar na pista e muito lento para poder voar até o próximo aeroporto.
  8. E por fim o engenheiro de voo desligou o motor nº2 que pegava fogo com aproximadamente 20 nós abaixo da velocidade segura para voar com um motor a menos. Com isso o avião perdeu o controle e tombou para a esquerda e atingiu algumas casas a poucos quilômetros do aeroporto.
  9. Todo o voo durou 90 segundos.
Ficha Técnica

Dimensões

  • Comprimento: 61,65 m
  • Envergadura: 25,6 m
  • Altura: 12,2 m
  • Lugares: 110 poltronas

Pesos

  • Peso Básico Operacional: 78.700 kg
  • Peso Máximo Zero Combustível: 92.080 kg
  • Capacidade de carga paga (payload): 13.380 kg
  • Peso Máximo de Decolagem: 185.000 kg
  • Peso Máximo de Pouso: 111.130 kg

Desempenho

  • Velocidade Máxima de Operação: Mach 2,04
  • Velocidade Normal de Cruzeiro: Mach 2,00
  • Altitude Máxima de Operação: 60.000 pés / 18.300 m
  • Alcance oficial: 3.700 NM ou 6.852 km (O recorde da aeronave é de 3.965 NM no voo Washington – Nice em 11 de setembro de 1984)

Motor

  • Modelo do Motor: Olympus 593 Mrk610
  • Fabricante do Motor: Rolls-Royce / SNECMA
  • Potência Máxima produzida por Motor na decolagem (pós-combustores acionados): 38.050 Lbs (170 KN)
  • Capacidade de Combustível: 119.500 Litros / 95.680 kg
  • Consumo de Combustível (1 motor em Idle, no solo): 1.100 kg/hora ou 2.400 libras/hora
  • Consumo de Combustível (1 motor em potência máxima “seca”, no solo): 17.500 kg/hora ou 23.150 lbs/hora
  • Consumo de Combustível (1 motor em potência máxima + pós-combustor, no solo/decolagem): 38.500 kg/hora ou 49.604 lbs/hora
Fonte: Wikipédia – A Enciclópedia Livre
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3 comentários sobre “Clássicos da Aviação: Aerospatiale-BAC Concorde

  1. tão 'esquisito' esse bicho… um narrow body intercontinental e supersônico, tão poucos passageiros voando tão alto e tão rápido… quase um mito, mesmo, na acepção mais primitiva.

  2. O Concorde, não pode ser chamado de "esquisito", mas concordo com você, ele é um mito, voar numa aeronave supersônica, não é mais possível para pessoas comuns. O fim do Concorde nos deixou órfãos, a humanidade regrediu em tecnologia aeronáutica…

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