Crônica – Vergonha de voar, porque a Paraíba não é digna de um aeroporto competitivo e moderno?

Um grupo de jovens comissários de bordo de uma das companhias aéreas que mantém conexão no aeroporto das cidades de Bayeux/Santa Rita, na região metropolitana da capital, João Pessoa, desembarca pela primeira vez no Castro Pinto. Uma das aeromoças comenta com os colegas voadores:
 
– Esse aeroporto é bem charmosinho, né?!


Talvez a aeronauta tenha sido apenas gentil ao achar charme na pequenez e simplicidade do principal aeroporto paraibano. Mas para quem costuma pegar avião, saindo do Nordeste para os principais destinos nacionais, sabe que chamar o Castro Pinto de “charmoso” é apenas um cordial eufemismo.

 

Se os nossos visitantes fossem julgar a Paraíba pelas dimensões de seu aeroporto, certamente nosso primeiro “cartão de visitas” não estaria compatível com o nível de desenvolvimento, muito menos com o estoque de belezas das “terras tabajaras”. Além disso, é preciso reforçar o apelo à falta de acessibilidade às plataformas de embarque. O Castro Pinto deve ser um dos poucos aeroportos de padrão “internacional” que possui apenas o chamado “piso superior”.
 

É realmente humilhante ver os passageiros atravessarem parte da pista a pé para tomarem seus acentos nas aeronaves que decolam do CP. Para pessoas com alguma limitação de locomoção, embarque e desembarque aqui se torna uma aventura vexatória.
 

A impressão que eu tive quando anunciaram o final da reforma do CP foi de que o aeroporto havia passado apenas por uma espécie de maquiagem. Granito por todos os lados na portada principal e nos saguões, mas nada significativo ao que se refere à logística de embarque e desembarque. A área construída permaneceu praticamente a mesma.
 

Agora ficamos sabendo que o CP não dispõe de equipamentos mais modernos que permitem a decolagem e aterrissagem de aeronaves em condições climatológicas especiais, mesmo considerando que a localização geográfica do CP é uma das melhores entre os aeroportos em todo o país: longe das principais zonas urbanas e no topo do magnífico planalto santarritense.
 

É claro que não dá para comparar nossa pujança turística com a de uma Recife ou de uma Natal, ou Salvador ou ainda de uma Fortaleza. Mas parece evidente que, se tivéssemos um aeroporto mais bem equipado e melhor estruturado, automaticamente atrairíamos mais e mais companhias aéreas e, consequentemente, mais turistas do que aqueles trazidos e levados pelos 18 voos diários do CP. 

Essa equação me lembra a história do ovo e galinha: não atraímos turismo porque temos um aeroporto fuleiro, ou temos um aeroporto fuleiro porque não conseguimos potencializar nosso turismo???
 

Penso que podemos conciliar o “charme” do CP com sua importância estratégica para o turismo made in PB. Aqui não seria necessária uma reforma que transformasse o CP numa espécie de shopping center “temático” pra gringo ver, como ocorre, por exemplo, com o aeroporto de Brasília ou o Dois de Julho, na capital baiana, que a partir das 24 horas se transforma num deserto. 

Nosso aeroporto também tem a vantagem de não oferecer aos usuários a visão desagradável de uma espécie de garagem de luxo dos aviões militares da FAB, como ocorre na vizinha Natal. Nem está no coração da metrópole como em Recife e Congonhas.
 

O que os paraibanos queriam ver é tão somente um aeroporto moderno e funcional, que mereça ser chamado de “aeroporto”, e não uma espécie de “entreposto” aeroviário, entre Recife e Natal. Outra vocação possível do CP seria como integrador regional para vôos comerciais de menor porte entre as principais capitais nordestinas e para as grandes cidades do interior nordestino, a exemplo, do que já ocorreu entre Recife e Salvador, com Extinta WebJet.

Mais do que respeito, a Infraero, a ANAC e o Ministério da Defesa, a quem elas são subordinadas, deveriam dispensar aos paraibanos aquilo que qualquer lugar minimamente desenvolvido espera nessas ocasiões: condições de competitividade.

 

Por: Dalmo Oliveira

Da Redação, Spotter JPA no Ar – Blog Direto do Sanhauá
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2 comentários sobre “Crônica – Vergonha de voar, porque a Paraíba não é digna de um aeroporto competitivo e moderno?

  1. Só uma correção. Os comissários são AERONAUTAS e não AEROVIÁRIOS como mencionou a reportagem. Os aeroviários são os funcionários que trabalham em terra. Mas como bem disse a reportagem, merecemos sim um aeroporto digno e funcional. Até o aeroporto de Boa Vista possui fingers, com um projeto bem interessante. É só ver as fotos no google.

  2. Obrigado por mencionar o erro Lyon, já corrigimos, mas é fato que João Pessoa necessita de um aeroporto a sua altura, coisa que não vem sendo enxergada pela INFRAERO a muitos anos, temos brigado para ter sistemas de pouso por precisão como: ILS, GPS e VOR, infraestrutura para desembarques/embarques mais agéis e uma série de outras coisas que não caberiam neste post.

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