[Crônica] Governos não levam o Aeroporto Internacional Pres. Castro Pinto a Sério

Esta talvez fosse uma boa campanha publicitária para o Governo do Estado da Paraíba exibir por ai.

A falta de infraestrutura em torno do Aeroporto Internacional Presidente Castro Pinto é escandaloso. E não é porque se deteriorou a infra que existia no passado. É porque nunca houve infraestrutura mesmo.


Um aeroporto que recebe anualmente coisa de 1 milhão de passageiros, muitos destes turistas em visita ao estado. Estado que almeja atrair voos de fora do país para alavancar o turismo, ou pelo menos é o que dizem políticos e a imprensa local há muitos anos. 
Pela forma como a Paraíba, através de seus representantes e autoridades, em todos os poderes, zelam pelos equipamentos necessários ao apoio do crescimento turístico e do bem estar do paraibano podemos concluir que tudo não passa de conversa fiada, e sem muito esforço.


Acesso Precário

O Castro Pinto está localizado entre duas cidades, com possibilidade de ligação com duas rodovias federais. Deveria ser um terminal com vastas opções de acesso, largas avenidas e ruas alternativas para quem chega vindo de qualquer lugar nas cercanias. 
Mas só tem um acesso, através de Bayeux, uma cidade em guerra politiqueira há décadas. Abandonada pelo poder público, Bayeux é a expressão máxima do caos quando o estado vira as costas para a sociedade. Um inferno quando se trata de infraestrutura. 
A cidade chegou a “brigar na justiça” pelo direito a estabelecer que o terminal de passageiros do Castro Pinto está em seu território. Com isto, autoridades de Bayeux conseguiram uma fonte de recursos para a prática de suas pilantragens políticas através da garantia de arrecadação de impostos sobre as operações no terminal, recursos que não são investidos sequer nas melhorias do apoio ao turista que desembarca aqui.


Uma das obras realizadas pela prefeitura de Bayeux foi a “duplicação” da única avenida de acesso ao aeroporto. Foi uma intervenção de quase 3 quilômetros, que durou 8 anos para chegar ao atual estágio: incompleta. 
Armadilhas foram dispostas ao longo da obra, chegando a vitimar alguns bayeenses, durante estágios lentos de avanços ao longo deste período. Materiais de construção tomando parte do leito da via, sem sinalização deram muitos sustos a turistas que transitaram por aqui. 
Hoje, buracos e falta de sinalização dão as boas vindas aos novos visitantes da capital paraibana. Não existe alternativa, é por ali que você entra ou sai do estado, se estiver em João Pessoa. Com ou sem congestionamentos, você não alcança o terminal se não passar por esta única via. No caso de uma eventualidade, acidente, ou qualquer motivo para o bloqueio da via, o Castro Pinto torna-se inacessível para muitos.


Estacionamento

E se chegar, não há onde estacionar caso tenha optado ir de automóvel próprio. O estacionamento no terminal — pago — está sendo ampliado, mas o espaço físico, dentro dos limites do terminal, não possibilita a expansão necessária para garantir suporte a todos, principalmente se houver aumento no fluxo de passageiros, com mais voos aportando em JPA. 
Talvez seja o caso de começar a pensar na multiplicação do piso do estacionamento, construindo andares sobre uma das áreas do pátio. Mas ao redor do terminal, em áreas fora do terreno da Infraero, existe espaço para implantação de estacionamentos, inclusive públicos. 
A prefeitura de Bayeux não se importa com o fato de que o Castro Pinto tem problemas com área de estacionamento e não desenvolve projetos para novos acessos, nem mesmo para áreas de estacionamento público em torno do terminal, pelo qual disputou na justiça o direito de sugar recursos. 
Porém, não se pode esperar ações positivas de uma prefeitura numa cidade dominada por crápulas políticos e guerras eleitorais e politiqueiras há tantas décadas. O próprio Governo do Estado da Paraíba deveria, e pode, realizar as ações necessárias para preparar o aeroporto para as aspirações do estado, vendidas em propagandas baratas e enganosas através da mídia, de elevação no fluxo de turistas.


O aeroporto pode ser ligado à rodovia BR 230 em Santa Rita com a construção de uma avenida que conecte-o a um dos viadutos já existentes. E pode receber uma outra via de ligação com a rodovia BR 101, com conexão direta para o Sul, bastando que seja planejada e feita uma avenida até o Distrito Industrial, que fica a menos de 6 quilômetros do local, passando por regiões ainda desabitadas. 
Por que ao longo de todo este tempo nada disto jamais foi cogitado? Por falta de interesses. Autoridades no estado estão acostumados a expressar intenções e cruzar os braços. A imprensa local geralmente está nas mãos destas autoridades, não há pressão e a população não costuma reagir com vigor. O resultado é um estado cheio de potencial real, mas paralisado.


Praticamente Sem Transporte Público Coletivo

Se não perceberam, falta um limpador no parabrisas do busão ai, a placa está ilegível e por dentro é bem pior. Mas é o que o Governo do Estado da Paraíba, através do DER-PB e a Prefeitura Municipal de Bayeux oferecem para os paraibanos e turistas que usam o terminal do Aer. Intl. Pres. Castro Pinto.
Se os acessos ao Castro Pinto são quase inexistentes, e o estacionamento é precário para as operações que ocorrem hoje, o transporte público na região deveria compensar as deficiências, não é? O problema é que o Aeroporto Internacional Presidente Castro Pinto encontra-se numa região em torno da capital, onde os serviços de transporte público faliram nas décadas passadas. O serviço de transporte coletivo foi explorado sem muita intervenção do poder público local. 
No geral as empresas faziam o que queriam e deterioraram completamente a relação com a sociedade, que sempre foi desrespeitada e humilhada em sua busca pelo direito básico ao transporte público. 
O resultado é que uma guerra foi travada entre sociedade e empresas, enquanto o estado virava as costas para o caso. O DER-PB é o órgão que, na falta de uma entidade direcionada para a questão, assume a competência de fiscalizar e gerenciar o serviço coletivo nesta região. 
O que se vê é a negligência do órgão, ligado ao Governo do Estado, como sempre foi ao longo da história. Todas as deficiências, precariedades e problemas são relatados ao DER, não só pela sociedade, mas também pela própria Infraero. 
Empresas com concessões para o serviço recebem notificações, que muitas vezes não passam de simples telefonemas do DER. Obviamente, como é tradição, elas ignoram e os flagrantes do que acontece é visto no cotidiano de quem circula pelas cidades ao redor do aeroporto. Serviço precário, veículos sucateados, itinerários incertos. O MP-PB também costuma receber denúncias. Da mesma forma o MP é ignorado.


Táxi e Aluguel de Automóveis Pra Se Virar

Acreditar que milhares de pessoas conseguem se virar com táxi no terminal do Aer. Intl. Pres. Castro Pinto, só na cabeça de autoridades locais. Mesmo os taxistas que atendem ao terminal vivem em “pé de guerra” com outros colegas de outras regiões e áreas. 
O número de veículos nunca seria o suficiente para garantir o conforto e comodidade a todos os turistas que transitam pela Paraíba. Como não há ônibus, nem linhas adequadas para o atendimento dos passageiros do aeroporto, o último recurso é usar automóvel próprio, sem ter segurança sobre onde estacionar, ou alugar um automóvel no terminal. Uma locadora de automóveis já se estabeleceu no local, explorando justamente esta deficiência crônica no acesso ao aeroporto.


A demanda por aluguel deve ser grande para justificar a construção de uma unidade na porta do terminal de passageiros, e não é pra menos: o Aeroporto Internacional Presidente Castro Pinto está isolado e abandonado pelas autoridades paraibanas. Sufocado, ele tenta sobreviver e dar suporte ao que ainda resta de fluxo turístico no estado, que é impressionante dadas as precariedades no que é básico. 
O terminal também se esforça para garantir alguma dignidade ao paraibano em suas viagens. Visto de fora, após um ‘tour‘ forçado por entre as ruelas grotescas da cidade abandonada pelo poder público, Bayeux, o terminal reluzente do Aeroporto Internacional Presidente Castro Pinto parece um oásis de conforto, com sua bela arquitetura. 
Um prédio pequeno, num aeroporto que sofre inanição sem os nutrientes básicos, que lhes são cortados por autoridades municipais e estaduais. Mas que se mantém de pé com o que pode, como pode. 
Como uma escultura intocável, o terminal destoa na paisagem local. Estivesse nas mãos da prefeitura e seria pintado a cal nas cores escolhidas por cada politiqueiro que passasse pelo comando de Bayeux, ou receberia infames faixas verde e vermelhas, ou qualquer outra a cada gestão, numa pichação estúpida, vandalizando-o como um ato de melhorias implantadas na gestão.
Por William Santos, Spotter JPA no Ar
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2 comentários sobre “[Crônica] Governos não levam o Aeroporto Internacional Pres. Castro Pinto a Sério

  1. PARABÉNS!!! Estaria sem palavras para esta crônica não fosse minha indignação com tanto descaso e abandono ao Estado da Paraíba como um todo. Mas como estamos falando sobre o aeroporto, vamos lá. Sai governo, entra governo, tudo continua a mesma coisa: precariedade e falta de investimento no transporte público; pessoas despreparadas em cargos importantes, que só estão ali por conta do QI; roubalheira dos cofres públicos; interesse apenas em reeleição por parte dos políticos. A Paraíba está doente há muitos anos e se depender da população totalmente alienada, passará mais tempo nas mãos de políticos inescrupulosos (cada população tem o político que merece), e o Castro Pinto cada vez mais perderá voos para Recife e Natal (basta pesquisar os valores astronômicos das passagens aéreas com origem em João Pessoa).

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